Qual é o jogo? – Manoel Carlos
Pinheiro – 04 de março de 2004
Podemos não saber exatamente qual é a jogada do governo ou da mídia
neste episódio envolvendo jogo e corrupção. Sabemos apenas que nós, povo
brasileiro, perdemos o jogo, sem estarmos participando da jogatina.
Há pouco mais de um ano, nós votamos contra o candidato de FHC na esperança de
dias melhores.
Votamos na perspectiva de mudança radical das políticas públicas, notadamente a
política econômica.
E, desolados, vimos serem reafirmadas e aprofundadas as políticas do governo
anterior.
É cópia de filme antigo; com um agravante: a cópia é muito inferior ao
original.
O Prepone Lula e seus aspones
conseguiram mais do que um mau governo, mais do que nos decepcionarem;
conseguiram deixar-nos desesperançados.
O mal maior deste governo (ou desgoverno?) foi matar, temporariamente, a nossa
esperança.
Mataram, temporariamente, nossa crença na organização popular para lutar.
Qual a novidade? qual a mudança?
A arrogante pretensão de interferir em outros poderes? a
liquidação do que resta do patrimônio público? o
descarado favorecimento do capital financeiro internacional?
Os sindicatos, quase todos, tornaram-se pelegos.
As ONG agora são, em sua maioria, Organizações Neogovernamentais.
E o que temos?
A fome, a carestia e o desemprego aumentaram.
A corrupção, o favorecimento de parlamentares em troca de apoio e a pressão
descabida sobre opositores permanecem.
O próprio governo desrespeita o que resta de legislação de proteção ambiental.
Em síntese: temos um governo antipopular, antinacional e antidemocrático.
Até quando? Quando nós, povo brasileiro, assumiremos as rédeas do nosso
destino?
Até quando ficaremos sem lutar? Mas, lutar para quê?
Lutar por um Brasil dos brasileiros para os brasileiros.
Para termos os frutos do trabalho para quem trabalha; a nossa terra para quem
nela vive e produz; trabalho, comida, saúde e educação para todos; um processo
de desenvolvimento com sustentabilidade
sócio-ambiental; a garantia das liberdades individuais e o respeito às diferenças...